quinta-feira, 18 de agosto de 2011

HABILIDADES SOCIAIS

Tenho observado cada vez mais, como as pessoas tornam-se infelizes em determinadas situações, pela falta de assertividade nas relações interpessoais. E foi essa percepção que me trouxe aqui hoje.

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, a assertividade não tem a ver com “acerto” ou “acertar”, mas com “assegurar”, “afirmar”. Dito de outro modo, assertividade significa garantir o seu bem estar, mantendo o bem estar do outro também. Mais ou menos como se fossemos um bambu, firmes, porém, flexíveis.

Há um tempo atrás, conheci uma jovem que sentia dificuldade em dizer não às pessoas. Acreditava que dizendo não, as pessoas deixariam de gostar dela, denotando assim, um pensamento disfuncional. Evidentemente, sofria com isso. Certa vez, uma amiga lhe pediu emprestada uma roupa e ela deixou de usá-la naquele mesmo dia, porque não conseguiu dizer NÃO. 

Que estilo de resposta é esse, ou ainda, que tipo de comportamento a jovem exerceu?
Um comportamento conhecido pela TCC como não-assertivo. A não assertividade é a abdicação de responsabilidade e implica em uma renúncia. Praticamente convida outras pessoas a desconsiderarem ou a tirarem proveito da pessoa não-assertiva. Geralmente, a pessoa não-assertiva tende a “engolir sapos”, pois age de forma tal a evitar confrontos, preocupa-se em demasia com a opinião de terceiros, adotando com frequência uma postura defensiva.

Bom, percebo que muitas pessoas não comunicam o que sentem acumulando desta forma, sofrimento intenso. Porém, é possível manifestar tudo o que sentimos ao outro, sem necessariamente sermos agressivos, que também é um estilo de resposta, outra forma de comportamento.

Vamos pensar numa colisão no trânsito envolvendo duas pessoas. Uma sai do carro educadamente, tentando conversar para resolver a situação da melhor forma possível e a outra, sai do carro gritando, xingando o outro de "cego", "irresponsável", entre outros xingamentos.  Será que quem bateu, fez isso propositalmente? A pessoa agressiva não faz este tipo de questionamento.


A pessoa agressiva desconsidera os direitos e a dignidade dos outros.  Elas embaraçam e humilham. O agressivo invade o espaço do outro. O seu desejo de vencer é tão forte, que acaba adotando uma postura invasiva de confronto, criticando, jogando a culpa sempre em outras pessoas. Quem age assim, normalmente interrompe outras pessoas, usa de sarcasmo e suas solicitações mais parecem ordens.  


Então você pode se questionar, como agir com assertividade em determinadas situações?
Como vimos, existem três estilos de respostas: a não-assertividade ou passividade, a assertividade e a agressividade. A função do comportamento assertivo é comunicar ao outro os nossos desejos, as nossas angústias e como dito anteriormente, sem que para isso precisemos ser agressivos.

Quantas pessoas conhecemos que deixam de expressar o que verdadeiramente sentem e pensam, por medo de que seus parentes ou amigos deixem de gostar deles? Ou porque receiam que suas idéias sejam vistas como “bobas”? Cabe lembrar, que essa atitude não resolve seus problemas, apenas incita uma posição não-assertiva.
Naturalmente, ao emitir posicionamentos próprios, corremos o risco de eventualmente sermos criticados ou até mesmo ridicularizados, mas isso não preocupa as pessoas assertivas, pois mesmo falando “besteiras” vez por outra, elas já conquistaram o respeito e admiração, permitindo que suas preferências sejam respeitadas e suas necessidades satisfeitas. 
Com certeza, nem sempre é fácil ser assertivo. No entanto, é uma aptidão que pode ser aprendida, isto é, cada um pode desenvolver esta habilidade mediante um treino sistemático e estruturado. É importante destacar que a maior parte das pessoas não são assertivas em todas as situações. Por exemplo, podemos comunicar assertivamente com um colega de trabalho e ter bastante dificuldade em fazê-lo com familiares. Penso também não ser correto dizer que uma pessoa é simplesmente assertiva ou não-assertiva, mas sim que há ou não uma tendência para comunicar assertivamente em determinadas situações. Todos nós, podemos desenvolver habilidades que nossas histórias de vida não modelaram adequadamente. Através de Treinamento em Habilidades Sociais (THS), podemos avaliar o nosso grau de assertividade, possibilitando desta forma, tornar nossos relacionamentos interpessoais e intrapessoais mais satisfatórios e equilibrados.

Parafraseando Caballo: O THS não “obriga” as pessoas a atuarem de forma socialmente habilidosa, simplesmente as ensina maneiras socialmente adequadas de comportamento. É a pessoa que tem a decisão final.
Sendo mais assertivos, diminuímos nossa ansiedade, expandimos nossa liberdade e melhoramos a qualidade dos nossos relacionamentos, como também a nossa auto-imagem.

Texto base: Manual de Técnicas de Terapia e Modificação do Comportamento. Cap. 18 – Vicente E. Caballo.

2 comentários:

  1. Geiziane Barcelos Braglia19 de agosto de 2011 09:46

    Deysi, do limão à limonada. Parabéns, querida!!!
    Gostei muito da ideia e do que li.
    Beijos,Geizi.

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  2. Adorei a matéria! E penso que quem vive com a pessoa que geralmente tem um comportamento agressivo(para fazer valer a sua opinião),está em constante situação de coação e cada vez mais se sente diminuído e fragilizado. E para que essa relação se rompa, acho que o oprimido precisa de muita terapia e experiências de auto-valorização que efetivamente produzam sentimento de sucesso, despertando assim, um real significado interior. Ou seja, re-significar os sentimentos através de experiências positivas, para se fortalecer e tornar-se mais assertivo. E agora vamos aos exercícios...hahahaha.
    Beijos

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